Minhas origens

Este texto, exceto os quatro primeiros parágrafos, é composto por alguns parágrafos extraídos do texto introdutório do meu livro Raízes publicado em agosto de 2012. Nele eu busquei retratar toda minha origem familiar e achei interessante introduzi-lo neste canal para falar um pouco sobre as minhas origens, já que a genealogia é uma das minhas paixões.
Sou filho de Odair Bedore, paulistano nascido em 1950 que se mudou para Atibaia em 1964 acompanhando por seus quatro irmãos, mãe e seu pai que veio para Atibaia para dirigir uma igreja evangélica como pastor presidente. Em Atibaia meu pai conheceu minha mãe, Sônia Maria De Carlo Bedore, descendente de imigrantes italianos que chegaram em Atibaia no final do século XIX e das famílias mais antigas da cidade.
Meu pai teve uma vitoriosa carreia política em Atibaia onde foi vereador por cinco mandatos consecutivos (1983 a 2004), tendo sido presidente da câmara por quatro vezes (1991/92, 95, 97 e 2004). Em 2004 disputou a prefeitura de Atibaia mas não se elegeu, encerrando assim sua trajetória política na cidade que juntamente com sua família escolheu para viver há quase 55 anos.
Meus avós maternos, Roberto De Carlo e Julieta Freitas De Carlo são atibaianos. Minha falecida avó Julieta era descendentes de famílias tradicionais de Atibaia e de famílias modestas, com origem africana. Era filha de pai branco e mãe mulata. Meu avô Roberto era neto paterno de imigrantes italianos e pelo lado materno descendente das mais antigas famílias atibainas.
Meus falecidos avós paternos, Oscar Bedore e Iride Bachega Bedore, eram paulistas filhos (Oscar) ou netos de italianos (Iride). Chegaram em Atibaia em 1964 e aí faleceram respectivamente em 1997 e 2004. A ascendência do meu pai é totalmente italiana.
Minha linhagem é bem o retrato da formação étnica da esmagadora maioria do povo brasileiro que descende dos índios (1ª matriz de formação étnica) que aqui viviam antes da colonização portuguesa e eram cerca de dois milhões quando os portugueses chegaram; dos portugueses (2ª matriz), dos negros (3ª matriz), trazidos na condição de escravos do Continente Africano e eram cerca de cinco milhões, e mais recentemente dos imigrantes asiáticos e europeus, especialmente os Italianos (4ª matriz) que imigraram em grande escala a partir de 1870 a fim de substituírem a mão de obra escrava, que no Brasil tardiamente foi liberta em 1888; estimasse que cerca de um milhão e meio a dois milhões de italianos vieram para o Brasil, em especial para os Estados do sul e sudeste, especialmente para o Estado de São Paulo.
Eu ousaria dizer que minha ascendência retrata perfeitamente a formação étnica do povo brasileiro que é resultado de uma grande miscigenação étnica, decorrente do cruzamento de portugueses e índios (mamelucos), portugueses e negros (mulatos), negros e índios (cafuzos) e do cruzamento dessa gente toda entre si e mais tarde com os imigrantes europeus de várias origens, em especial, da Itália. Somos um povo essencialmente moreno, uma nação de mulatos, não mais mulata, pelo menos no sul e sudeste, por conta dos imigrantes europeus que chegaram ao Brasil a partir da abertura dos portos em 1808 e se intensificou a partir de 1870. A experiência brasileira de miscigenação de raças é única no mundo e sem dúvida reproduz uma nova raça, uma nova gente: os mais de 200 milhões de brasileiros, que já não são mais índios, portugueses, espanhóis, negros, italianos, japoneses, mas apenas: brasileiros.
Os menos atentos e mais preconceituosos esquecem que as mais antigas etnias europeias foram formadas da miscigenação de raças, como Portugal, por exemplo. Por razões de pura ignorância preconceito não veem como bons olhos o que se deu com a formação do povo brasileiro que é fruto da união consentida ou não do colonizador de maioria portuguesa, mas também em menor escala de origem espanhola com o índio colonizado, oriundo de centenas de tribos que viviam livres em território brasileiro; da união da mão que mandava chicotear ou que chicoteava o negro escravo no tronco com os corpos feridos pelos mais absurdos maus tratos aos negros trazidos como escravos para o Brasil; da união destas três matrizes principais (índios, portugueses e negros) com os europeus de várias origens, especialmente a italiana, e os asiáticos, especialmente os japoneses, esses cuja imigração completou um século em 2008. Em linhas gerais, nós brasileiros, ao menos na grande maioria, descendemos da casa grande e da senzala, dos bandeirantes e dos habitantes das ocas, das vilas e do campo, enfim, somos fruto da mais recente e interessante formação de um povo. Uma gente nova, os latinos dos trópicos.
Pela ascendência dos meus bisavós maternos Ermitão de Paula Freitas, Maria do Carmo Leite De Carlo e Maria Joana Pires de Oliveira concluo ser um legítimo representante da Paulistânia caipira que seria um dos tipos do homem rural brasileiro e geograficamente é situada nos Estados de São Paulo, grande parte de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, parte do Paraná, sendo os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo como afins, portanto, sou um legítimo caipira com muito orgulho.
Através destes três bisavós e através da obra de Silva Leme (Genealogia Paulistana) deparei-me gratamente com o fato de descender entre outros menos ilustres de: I) membros da Casa dos Belmonte, da qual pertenceu Pedro Álvares Cabral, “descobridor do Brasil”; II) de Marcelino de Camargo, o Patriarca de Atibaia e mais três irmãos do mesmo, todos irmãos de Jerônimo de Camargo, considerado fundador da cidade e mais dois irmãos seus; III) João Pires, o Pai dos Jesuítas; IV) Amador Bueno da Ribeiro, aclamado rei de São Paulo em 1641; V) Bartolomeu Bueno da Silva – o Anhangüera; VI) uma irmã do Cap. Fernão Dias Paes, o descobridor e Governador das esmeraldas; VII) Martim Afonso Tibiriçá, o régulo de Piratininga; VIII) João Ramalho e mais remotamente de: IX) D. Afonso VI de Leão, X) D. Afonso Henriques, o 1º Rei de Portugal, XI e XII) D. Fruela I e II, reis de Leão; XIII) Guido, Duque de Espoleto, Conde de Toscana, Rei e Imperador da Itália; XIV) Pepino, Rei da Itália e finalmente XV) CARLOS MAGNO, rei dos Francos, Lombardi e Imperador do Ocidente no século IX, e tantos outros, retratados no meu costado, na terceira e última parte deste trabalho.
Pela ascendência do meu bisavô materno Antônio De Carlo e dos meus bisavós paternos Ernesto Bedore, Virginia Basso, José Bacchiega e Ida Bassi concluo ser um oirindi, ou seja, um legítimo descendente de italianos. Ao se considerar que a grande maioria dos “oriundi” sequer conhece a origem de seus bravos antepassados que imigraram para o Brasil, muitos até sequer sabem se sua origem vem do norte ou do sul da Itália, é um grande avanço ter se conseguido a origem de todos estes imigrantes italianos aqui retratados, uma vez que chegaram no Brasil saídos de uma Itália em guerra ou faminta, somado a inúmeros fatores e circunstâncias que no decorrer do tempo fizeram com que a grande maioria dos descendentes desconheça hoje a origem de seus antepassados.
Sobre os meus oito bisavós, dois (Ernesto Bedore e Virginia Basso) são imigrantes italianos originários da localidade Della Torre, entre as cidades de Este e Ospedaletto Euganeo, na baixa Padova ou Euganea, Província de Padova, região do Vê neto, norte da Itália.
Dois outros bisavós (Ermitão de Paula Freitas e Maria do Carmo Leite De Carlo) são paulistas, naturais de Atibaia e filhos de famílias quatrocentonas do Estado, cuja formação étnica deu-se do cruzamento de portugueses e espanhóis, estes em menor número, com as índias, dando origem a uma massa de mamelucos que desbravaram os sertões, através das bandeiras.
Outro bisavô, Antônio De Carlo, é também natural de Atibaia filho de imigrantes italianos que chegaram em Atibaia em 1894 e eram originários das cidades de Vinchiaturo e Baranello (família Terranova) e Guardiaregia (família De Carlo), todas da Província de Campobasso, Região de Molise na Itália central.
Outra bisavó, Maria Joana Pires de Oliveira, também natural de Atibaia, era filha de mãe atibaiana mulata (Bárbara de Oliveira Cesar, filha de pais mulatos) e pai também atibaiano e mulato (João Pires Padilha era filho de pai branco e mãe negra), descendente, portanto, da mistura entre brancos, quase sempre homens, e negros, quase sempre mulheres, cuja ascendência se encontra nas tristes senzalas da inconcebível escravidão no Brasil.
Dois outros bisavós (José Bacchiega e Ida Bassi) eram paulistas, filhos de imigrantes italianos, o primeiro natural de São Carlos, filho de imigrantes italianos de Rovigo e Cremona no norte da Itália e a segunda era natural de Taquaritinga, filha de imigrantes italianos originários das Províncias de Verona e Mantova, também no norte da Itália.
Quanto aos meus avós paternos, Oscar Bedore, era irmão e filho de italianos que imigraram definitivamente para o Brasil em 1913, já minha avó Iride Bachega Bedore, era filha de paulistas, nascidos no Estado alguns anos após a imigração de seu pais que deixaram a Itália para construir a América, portanto, era neta de italianos, consequentemente meu pai e seus quatro irmãos estão inseridos entre os aproximadamente 10% da população brasileira que não têm nenhuma miscigenação na sua origem, tendo, portanto, ascendência única: a europeia, mais precisamente a italiana.
Já meus avós maternos, fazem parte dos aproximadamente 90% da população brasileira que tem na sua ascendência uma rica mistura de raças. Meu avô materno, Roberto De Carlo, é filho de paulistas, neto pelo lado paterno de imigrantes italianos que se radicaram em Atibaia desde o final do século XIX e neto pelo lado materno de atibaianos e consequentemente paulistas cuja ascendência remonta aos troncos de várias famílias trezentonas e quatrocentonas, cuja origem deu-se através do cruzamento de portugueses, espanhóis e índios. Já minha avó, Julieta Freitas de Carlos, era filha de pai paulista, neto de paulistas, cuja ascendência remonta também aos troncos de várias famílias trezentonas e quatrocentonas, cuja origem deu-se através do cruzamento de portugueses, espanhóis e índios e no caso dela de ingleses e franceses (D’Elboux), com mãe atibaiana e mulata, filha da miscigenação entre brancos e negros, portanto, minha avó materna descende da mistura de brasileiros, descendentes de portugueses, espanhóis, franceses, ingleses com brasileiros, descendentes de negros africanos, trazidos como escravos para o Brasil. Consequentemente minha mãe, eu, e meus irmãos, evidentemente, estamos inseridos entre os aproximadamente 90% dos brasileiros cuja origem é decorrente da mistura mais variada de raças, ou seja, o verdadeiro retrato étnico do povo brasileiro. Recente estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais revelou que 87% dos brasileiros têm pelo menos 10% de genes de origem africana.
Considerando que somos fruto da genética de nossos ascendentes, temos que nossos pais são responsáveis, cada um, por 50% de nossos genes, ou que recebemos, em tese, 25% de genes de cada um dos avós, ou ainda, 12,5% de cada bisavós, ou ainda 6,25 de cada trisavó; 3,125 de cada tetravó; 1,5625 de cada pentavó ou 0.78125 de cada hexavó e assim sucessivamente. Concluí, a partir desta maluca divisão de nossa carga genética, que tenho exatamente 62,50% de origem italiana e 37,50% de origem brasileira. Da origem italiana, muito provavelmente exista genes judeus, gregos ou de outras etnias, já na brasileira tenho origens não identificáveis em porcentagem, de portugueses, espanhóis, franceses (0.390625), ingleses(0.390625), judeus e de índios. Já minha origem africana é de exatamente 6,0546875 %, e sobre ela posso concluir que minha mãe tem 12,109375 % de origem negra, minha avó Julieta tinha 24,21875 % e minha bisavó Maria Joana Pires de Oliveira exatamente 48,4375 % de ascendência negra, posto que tinha um avô mulato (João de Oliveira Cesar, filho de pai branco com mãe negra) casado com uma mulata (Escolástica Maria Cardoso, filha de mulatos) e outro casal de avós formado por um branco e uma negra (João Pires Padilha branco) que teve um filho com uma mulher negra (Joaquina Maria das Dores). Portanto, sob a divisão entre brancos e negros, sou 93,79 branco e 6,25 negro.
Concluindo, pelos meus bisavós, facilmente vimos que minha ascendência é o mais fiel retrato da formação étnica do povo brasileiro, especialmente o paulista que na sua maioria, traz nas suas veias, a miscigenação de raças como as do índio, que inicialmente uniram-se a europeus (espanhol e português), mais adiante aos negros africanos e mais recentemente aos italianos e outros europeus, como os franceses.
Falando um pouco sobre a minha relação com a minha terra natal (Atibaia), se por um lado sou o primeiro Bedore nascido em solo Atibaiano, pela ascendência materna, faço parte de uma família com raízes nesta cidade que remontam a sua fundação, descendendo diretamente de três irmãos do fundador da cidade (Marcelino de Camargo, José Ortiz de Camargo e Mariana de Camargo), e, portanto, dos pais de Jerônimo de Camargo, bem como das famílias mais importantes e antigas de Atibaia: Siqueira Franco, Pires de Camargo, Alves do Amaral, Soares, Bueno, Pereira e Leite.
Através deste trabalho pude fazer uma viagem imaginária pela história de Atibaia, desde seus primeiros dias como um pequeno povoado nascido após os irmãos Jerônimo e Marcelino terem saído de São Paulo por brigas políticas e terem desbravado os sertões atibaianos estabelecendo-se no planalto entre a serra Itapetinga e o rio Atibaia e ali iniciando a construção de uma das cidades mais belas e encantadoras do interior paulista. Imaginei-me observando o nascimento do largo da matriz após a edificação da primeira capela em louvor a São João Batista, a construção das primeiras casas no dito largo e em seguida pela rua direita, hoje, rua José Lucas, até o Largo do Rosário. Imaginei-me observando as disputas políticas entre os Pires e Camargos, tendo em Atibaia Lucas de Siqueira Franco, meu décimo avô, partidário dos Camargos e Frutuoso Furquim de Campos, partidário dos Pires, como protagonistas. Seguindo meu passeio imaginário pela história da minha cidade, a vi ganhar um padre definitivo e tornar-se capela curada (1679), depois tornar-se paróquia com nova Igreja ou Freguesia (1701). Vi transformar-se Distrito (1747) e festiva ao tornar-se Vila (1770) ganhando Casa de Câmara e Cadeia e Pelourinho. Vi minha terra perder territórios com as emancipações de Jaguari (hoje Bragança); Nazaré, Piracaia e mais recentemente Jarinu, antiga Campo Largo. A vi festejar a independência do Brasil, a Lei Áurea, a Proclamação da república e tanto outros acontecimentos da história como a revolução liberal de 1841. Enfim, através deste trabalho pude viajar nas datas, nos locais e nos acontecimentos que acompanham a reconstituição genealógica de famílias que indiscutivelmente construíram minha cidade e da qual descendo com muito orgulho. Cheguei a ver a face dos meus antepassados nessa viagem, deparando-me com uma gente forte que sem saber, construía dia a dia o paraíso quase possível que tanto amo.
Outra viagem realizada em razão deste trabalho, desta vez real e não imaginária, foi a emocionante viagem à Itália. Retornar à terra dos meus antepassados italianos, especialmente à Este e a Ospedaletto Euganeo, foi, de certo modo, fazer uma viagem ao passado. Andar pelas ruas italianas especialmente de Este e de Ospedaletto fez-me imaginar estar olhando para paisagens, construções e caminhos olhados e caminhados por muitos dos meus antepassados. Fez-me imaginar Luigi Bedore, seus pais, irmãos, avós, filhos, primos, bem como, os Basso assistindo missas em latim nas mesmas igrejas que estava eu naquela viagem… imaginei-os cultivando os belos campos daquela região, pescando nos rios que dividiam o território de Este e de Ospedaletto, andando e vivendo em Della Torre, localidades visitadas por mim, como também fez imaginá-los decidindo deixar tudo para trás: parentes, terra, amigos, para se dirigirem a desconhecida América, motivados por prováveis promessas ditas por emissários do Imperador D. Pedro II, que na verdade não passavam de agenciadores de mão de obra para substituir a mão de obra escrava tardiamente liberta no Brasil, os quais prometiam aos que decidissem deixar a velha Itália muita terra e muita fartura, exatamente o contrário da realidade da grande maioria dos habitantes do pobre Vê neto e de tantas outras regiões italianas onde se passava fome. Não tiveram dúvidas, entre continuar a vida difícil que viviam e viver num país que lhes garantiria fartura e terra, deixaram tudo para trás e podemos considerar que com isso foram um dos os últimos elementos de formação de uma nova nação e uma nova raça, a dos bravos brasileiros.
Muitos desses imigrantes jamais voltou ao velho mundo, alguns voltaram para buscar a família, como foi o caso de Luigi Bedore, que depois de vir duas vezes para o Brasil terminou seus dias em Gênova, cidade que conheceu ao embarcar duas vezes para o Brasil; outros nunca mais voltaram, como Ernesto Bedore, que como a grande maioria dos italianos, terminaram seus dias sem qualquer contato com além mar. Cada família de imigrantes adotou uma postura com relação ao velho e ao novo País, uns enviaram fotos dos novos integrantes da família nascidos em solo brasileiro aos parentes italianos ou vice-versa, outros pediram ajuda aos imigrantes, como aconteceu com uma irmã de Virginia Basso, Maria Basso, que na década de 1940 escreveu para irmã pedindo ajuda financeira para irmã imigrante. Houve também quem voltou para Itália para visitar os parentes ou receber alguma herança, mas com certeza a grande maioria cortou qualquer laço com o velho continente, o que resultou na falta de informação de muitos oriundi quanto a origem de seus antepassados italianos.
Conhecer o que para mim é a minha segunda Pátria, e refazer a viagem dos meus antepassados, só que de avião, carro e trem e não a pé e de navio como fizeram, há mais de cem anos, e retomar o contato com meus parentes, foi uma das coisas mais prazerosas da minha vida.
Para se ter uma ideia do que foi a imigração de europeus para o Brasil nas últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX, temos que 1.630.963 italianos de diversas regiões imigraram para o Brasil entre 1836 a 1979, sendo 1.260.369 somente entre 1884 a 1914, período de maior imigração. Não se sabe ao certo quantos italianos voltaram, mas estima-se que cerca de um milhão e meio a dois milhões ficaram no Brasil. Desses imigrantes, cerca de 950 mil italianos, estabeleceu-se no Estado de São Paulo, que entre o início de 1890 e a Primeira Guerra Mundial, representava um quarto da população do Estado, ou seja, 25%. Na capital do Estado essa relação no início do século XX era muito maior.
A primeira ‘grande’ leva de italianos, cerca de 180 sardos, chegou ao nosso País em 1836 fixando-se na Colônia Nova Itália, às margens do rio Tijucas Grande, em Santa Catarina a última grande leva em 1947, porém, entre os integrantes da expedição de Martim Afonso de Souza já se encontravam alguns italianos como os irmãos Adorno que, saídos da Itália por motivos políticos, dedicaram-se à produção de açúcar. Outros sobrenomes italianos chegaram antes da imigração em massa como os Dória, os Cavalcanti e os Accioli, e ainda hoje, muitos italianos, por inúmeras razões deixam a Itália para viver no Brasil, especialmente no nordeste brasileiro.
Hoje no Brasil cerca de 17% (dezessete) a 20% (vinte por cento) da população, ou 22 a 30 milhões de habitantes têm ascendência italiana. A cidade de São Paulo, por exemplo, é considerada, hoje, a terceira maior cidade italiana fora da Itália, perdendo apenas para Buenos Aires e Nova York. Estima-se hoje um contingente de cerca de 6 milhões de italianos e descendentes só na cidade de São Paulo. No Estado de São Paulo são cerca de 13 milhões. Eu ousaria afirmar que sem eles o Brasil seria um outro país, sem dúvida, inferior em diversos aspectos sociais, econômicos e até político. Não podemos estudar a formação ou a constituição étnica da população brasileira sem se aprofundar no estudo da sociedade italiana, cujos descendentes representam quase um quinto de nossa população, especialmente nas regiões sul e sudeste.
Espero que com o passar dos tempos meus descendentes, se os tiver, ou os descendentes dos meus irmãos e parentes citados nesse trabalho, possam através dele saber, mesmo que de forma simples e incompleta um pouco da história de nossos antepassados, os quais legaram-nos, além dos nomes de família, nossa formação e uma história rica de exemplos de vida que são a verdadeira nobreza familiar, bem como, possam dar continuidade neste trabalho que não tem fim posto que retrata a vida que segue rompendo o tempo.

Adriano Bedore